Google+ Badge

segunda-feira, 1 de abril de 2013

RABISCOS DE CARVÃO - LIVRO DE MARKUS LIBRA


Rabiscos de Carvão são riscos do que a vida coloca, notadas  palavras  presas  dentro, que  quando sai  rasga a alma.  É poesia sangrada, nos riscados do tempo ou, de graveto no chão duro da terra socada, rabiscado também.
No traço da realidade social, na vida de Marias e Josés, de um cão de rua ou do boi preto morto no lago seco.
O Risco da dor de um Manoel ao corpo do pintor de quadros manchado de vermelho.
E o rabisco calmo que é poema na Voz do Vento, que é Deus soprando aos teus ouvidos. 
A dor dos dias rabiscados na parede do cárcere da consciência de um José, José de Maria Aparecida.
No carvão da lenha queimada no fogão, sem alimentos para cozer. Agora quem grita aflita é Maria das Dores, Das dores de José que tem ao lado, a cruz fincada na beira da vida sem água, marcando onde está Emanuel.
Na voz do vento Deus, nos rabiscos de carvão, a vida.
Na visão do que é a vida nua por Markus Libra.







Compre aqui o livro 'RABISCOS DE CARVÃO'

sábado, 30 de março de 2013

O VELHO QUE VAI...


Na rua do morro, o sorriso vezes chora.
Vezes tantas, grita e, grita novamente o lamento do inocente.
O choro tantas vezes se cala aflito.
Você entende o grito do choro?
O Silêncio gritado do velho em trajes,
Nos trajes surrados do velho que vai.
É o tempo...
O tempo que não mudou a vida.
Do ancião que a vida toda tentou,
Do homem que foi menino.
O escritor poetizou.
Você consegue ouvir o meu grito
No parágrafo próximo?
A ferida da periferia excluída.
O paisagista pintou a rua do alto do morro.
Na gravura o menino pedinte.
O menino da paisagem é o velho que vai.
Quanta morte este senhor viu?
No balaço tombou o paisagista.
Que pintou a dor...
Na cor viva do mar...
Mas pintou a vida de agonia
Na favela...
Do velho que vai.
E o velho hoje vai bonito, botou terno, pegou a bíblia,
Trancou teu barraco de vida só.
Hoje ele vai,
Vai com seu terninho de linho que ganhou de um amigo pastor.
E o velho vai majestoso subindo o morro.
Dono do seu tempo.
Dono da tristeza do olhar.
Tem invasão da policia
Tem conflito, dizem os jornais.
Sem saber que entre tiros e exclusão.
Tem o velho que vai.
O velho vai quietinho, para alto do morro.
E o velho vai.
No abandono do sistema o morro grita.
A alma aflita, do flautista em acorde menor.
Que hoje enche a favela do som do instrumentista.
Como a ultima marcha do velho que vai.
Entre balaços e conflitos,
No alto no morro o velho já não mais vai.
Ergue os braços no espaço, hoje trajando seu terninho bonito.
É de linho fino ganhado do amigo pastor.
E entre os tiros, se ouve o flautista em acorde menor.
Numa oração quieta a Cristo.
O ombro desloca do impacto primeiro...
Mesmo da dor que faz gemer,
Ele abre sua bíblia, e não vai mais...
E tem outro impacto, ele tomba...
E dorme de mãos postas...
Dorme de mãos postas, sobre teu peito..
Com teu Cristo dentro do teu coração...
No funeral que desce do morro...
É cessar do conflito...
Na urna que desce entre os degraus.
Dentro esta o velho que de mãos postas sorriu para Jesus.
Com o mesmo terninho bonito, que ganhou do amigo pastor.
Do barulho do morro, só seguindo o cortejo
Somente o flautista.
Numa melodia pro velho que vai.

Markus Libra




Markus de Libra


sábado, 23 de março de 2013

Penso que Deus Dormiu Lá em Casa

        As vezes penso que Deus dormiu lá em casa, e a droga que tenho dito a mim mesmo, tenho gritado:
        - Não notei, não notei!
        - Quem sou eu que não notei a presença de Deus, quando estava escuro e eu precisava de luz?
        A minha alma saiu então pelas ruas perguntando por ai, para um e para outro.
        - Você viu meu Deus passar?    É que ele estava me cuidando e eu não notei, nem percebi quando  pegou na minha mão e me ensinou escrever poesia de passarinho.
        E agora, sei que é impossível ficar sem o amor, do meu Pai.   E tenho me encontrado só, nos meus poemas de dor, e hoje minhas lágrimas molharam meu computador.  
         E eu queria minha poesia sorrindo como pardais fazendo bagunça em quintais.  
         - Andei ansioso demais, meu Deus, como os tolos andam ansiosos pela vida, pela estrada da vida, na insegurança da minha vã sabedoria.   E eu estou pelas rua perguntando, e perguntei a rosa vermelha do jardim:
         - Por onde anda o Senhor que ter fez bela sobre espinhos?
         - E a droga é que não percebi nos olhos dos meus pais e dos meus filhos, não percebi Deus lá em casa.
          Não tenho tido onde chorar, se não nos meus poemas de dor, e eu que maltratei meu amor, eu que não brinquei com o meu cachorro no quintal, eu que nem liguei pra os meus filhos hoje.  Então não tenho onde chorar.  É que ninguém vive sem carinho e carinhos não mais quero perder.
          As feridas do meu Deus, Ele que saiu por ai, foi por minha causa que ele Chorou em Getsemani.
          E por que a poesia chora?
          E tenho carinho, mas eu não notei, não tenho notado, é que, tenho corrido no dia a dia.
          Mas agora eu peço:
          - Vou deixar a porta aberta, quando quiser vir ler meus poemas, vem.
          - Vou deixar a porta aberta e quero te mostra meu livro e falar pra todo mundo, que foi dons que me deu.

Markus Libra.
       

sábado, 9 de fevereiro de 2013

NAUFRAGO DE BARQUINHO DE PAPEL

      Para descobrir a tua voz... 
   Ele foi naufrago, de um barquinho de papel de caderno, feito a ponta de dedos... E o ser do sol era o brilho da manhã, e a manhã gritava o grito aflito do passarinho....
 - Passarinho não chores tanto no teu cantado calado.  Em lamento a manhã dizia, mas o passarinho chorou no fio pousado, olhando o galho do teu ninho no chão...
   E com o biquinho pequeno, tocou os olhinhos pequenos da tua pequenina companheira.
   Ela que olhava os filhotes no chão caídos.
   Logo o amarelo do ipê cobriu o chão, e as flores amarelas foram cores ao funeral, da morte causada aos pequenos filhotes.

    E a menina fazia barquinho de folha de caderno, e soltava na enxurrada depois da chuva, onde perto o passarinho triste chorava no fio pousado.
  
    Foi depois da chuva que o lenhador desceu o machado. O ipê gritou, chorou lágrimas amarelas das flores caindo.
    E Deus no céu, Deus no céu não se conforma, não mais se conforma.   
    Na certeza do poeta, Deus tem chorado.

    E a enxurrada pequena levou o barquinho, que dentro ia o poeta.  O navegante era o poeta, e o poeta viu a menina que fez o barquinho.  
   O poeta percebeu o passarinho com o biquinho tocar os olhinhos, os olhinhos da pequenina companheira.  
  A companheira que chorava um canto triste, olhando os  filhinhos caídos feridos no chão onde esta o galho cortado.
   E a avezinha olhou pra o céu azul, esperando Cristo vir socorrer...

    E o lenhador, o lenhador com teu machado se foi.   

    Ele foi naufrago pra descobrir a própria voz.
   Pra descobrir a tua voz, ele naufragou  de um barquinho de papel, papel de folha de caderno. 
   O poeta foi naufrago.   
   
   Barquinho feito a pontas de dedos por uma menina pequena que na rua brincava, onde tombou o ipê em corte de machado.
    A menina de rostinho sujo de barro e cabelos de cachos,  fez o barquinho e, soltou o barquinho de papel, na pequena enxurrada.
    O barquinho flutuou e ela; ela foi seguindo, com um sorriso bonito, a margem do riacho imaginado, e ia a menina brincando que dentro do barquinho havia um poeta navegante de horizontes distantes.
  
   E o leito de enxurrada passou entre as flores do ipê tombado a margem da rua, e poeta viu os filhotes, a menina viu os filhotes... O poeta fez oração de lamento ao Deus do céu.
     O sorriso da menina ficou pequeno, ela se viu entre as flores do ipê amarelo, entre os galhos cortado, e notou os filhotes entre as flores caídos.

   O passarinho no fio cantou nervoso, o poeta fez prece, a pequenina companheira do passarinho, desceu ao chão.... apanhou a florzinha amarela do ipê, colocou no biquinho pequeno, e cobriu os filhotes, varias florzinhas, uma a uma.
    Uma a uma, ela, a avezinha levou pra cobrir os filhotes...

  O passarinho no fio cantava triste nervoso, olhando ela cobrir os filhinhos... Incontido.

   A menina parou o barquinho, ficou olhando, ela e o poeta.      E o passarinho cantou nervoso um canto triste.

  E ele pousou ao chão de flores amarelas, o passarinho desceu ao chão.   Colocou  também a tua florzinha amarela.  
   Olhou terno em tua alma pequenina, e ela, a pequenina companheira olhou pra ele e com o biquinho pequeno tocou os olhinhos dele.

    E foram-se, voaram pra o distante... O poeta e a menina, os viram sumir no fim do mundo.

   Tudo foi silêncio, a menina enxugou  lágrimas, o poeta navegante de barquinho de papel de caderno, levantou ancora. 

      O navegante ficou revoltado.  E fez oração:

       "Meu Deus!!  Gritou...
         Não deixe que a revolta me domine...
           Porque?
             Olha ai no chão caídos, meu Senhor...
                Tu, trouxe os homens ao mundo, e olhe, o Senhor tem olhado o que fazem?
                    Será que não percebes o chorar das avezinhas...  Eu mesmo ouvi o ipê gritando."

                    
   A menina colocou o barquinho em leito de riacho, de enxurrada.   
    Ela triste deixou de brincar, e se foi.... E o barquinho sucumbiu depois do retorno da chuva e o poeta ficou naufrago... ilhado em lugar qualquer dos teus rabiscos.
      E ele, nadou até a ilha pequena, sentou na areia da praia, abraçou os joelhos e, chorou....chorou o choro dos teus rabiscos....
      
      
      

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

DAS DORES


Maria das Dores, aflita, grita, de mãos postas, ajoelhada na margem do córrego seco, ora, implora.
Ontem de manhã teve procissão pra modo da chuva cair, vir trazer água pra o córrego e encher o lago, que não mais águas têm. Levaram o santo, levaram a fé, levaram os baldes, levaram a fome, em procissão foi.
A procissão, seguiu, caminhando os devotos foram cantando canto de lamento. Levaram o santo, também nos ombros,  os descasos dos políticos do lugar estampado nos remendos da alma, da alma do povo.
Padre José foi chorando, limpando o pó do rosto, até o sabiá raiou nervoso no galho da laranjeira seca.
E foi também entoando canto de lamento, foi Das dores. Das dores foi cantando lamento. O lamento do coração aflito, ás águas que caiam era a dor saltando dos olhos; dos olhos de Das Dores.
Mas tanto se vai, tanto se vem, nas procissões que vão aos estradões do sertão.
Mas agora Maria das Dores clama ao Senhor Jesus, conversa com Deus:
- Meu Deus!  
- Por que morreu seco, bebendo o pó do lago seco, nosso boi preto?
- Meu Deus!
- Por que morreu nossa vaca Estrela no salpicado do chão quebrado, por quê?
- O senhor não mandou a chuva.
- Por que meu José? ... Das dores soluça.
- Meu José Ficou a noite abraçado o nosso boi preto, nosso boi preto morto no lago seco.
- Meu Deus... Ele ficou lá, ele, a vaca e boi... Eu orei tanto.
- Emanuel, meu filhinho esta com meu amor, meu José, onde a seca já não mais toca.
- A alegria sumiu, a saracura chorou de dó, o consolo de meu José, foi nosso cachorro caçador olhando o olhar, lambendo a mão do meu amor de olhos tristes, meu José amargou  o pó do nó.
Das Dores esta de joelhos onde no lago, ficou o couro seco do boi preto, da vaca estrela, na margem onde esta  José, perto de onde está Emanuel.
Ontem teve procissão, Das Dores foi cantando canção de lamento.
Foi ela e Laurinha, a filhinha de cabelos de cachos, igual anjo de rostinho sujo. Laurinha foi olhando a nuvenzinha pequena no céu, foi agarrada na saia da mãe.
- Não chora mamãe, não canta triste, papai foi colher água da nuvenzinha no céu.
Mas a procissão segue, a catinga rebenta o olhar dos santos do lugar.
Das Dores esta orando, na margem do lago seco agora, onde ficaram o couro seco do boi preto, da vaca estrela, as lágrimas de José e Emanuel.
A procissão foi ontem, Das Dores esta na margem do lago seco.
Na margem tem também duas cruzes, e Das Dores e Laurinha estão ali. Ali no lago tem a ossada do boi preto, da vaca estrela. Onde tem as cruzes na margem, uma é a de José a outra, é de Emanuel.
Emanuel nasceu miudinho, se alimentou dos seios flácidos e sem alimento de Das Dores, sugava o leite mirrado, sugava a alma da mulher que chorava vendo teu menino judiado.
A chuva não vinha,  sábia raiava no galho da laranjeira seca, os políticos do lugar só aparecem nas eleições, à nuvenzinha é passageira.  Laurinha acredita que o pai foi pra o céu colher água da nuvenzinha.
José enterrou o menino na margem do lago, onde pranteou o boi preto, a vaca estrela e o teu menino. Ele mesmo abriu a cova rasa, na terra dura, quando o céu chora na alma do caboclo.
Sabiá raia nervoso, triste inconformado assistindo Das Dores chorar.

A carga de lamentos tirou também José.  Depois da morte do menino, ele ficava na soleira da porta olhando o sem fim. Laurinha via o pai triste, tocava a mãozinha no rosto de José, e quando via uma nuvenzinha dizia :
- Paizinho, tem uma nuvenzinha no céu, chora não papai, vai ter chuva pra o teu roçado...
José apontava a mão então pra o céu:
- Filhinha dá vontade de voar, ir buscar um teco dágua.
José partiu de olhos abertos, olhando através da janela, uma nuvenzinha que viajava no azul da dor.
Agora Das Dores fala com Deus, na margem do lago seco onde tem a ossada do boi preto, da vaca estrela, onde tem a cruz de Emanuel e a outra do teu amor. É a cruz de José.
O lamento tenta chegar ao céu, o próprio lamento vai chorando. Das Dores cala o olhar, tem Laurinha segurando a saia, tem tantas perguntas que ainda fará pra Deus.
Tem cravado no coração a recordação do Boi Preto, da Vaca Estrela, de Emanuel que desfaleceu e foi pro céu morar, tem as imagens de José pranteando o Boi Preto, Vaca Estrela e o filhinho.
E a chuva que cai, é a chuva do olhar.

Markus Libra

POETA LOUCO


         Vi correr pra lugar nenhum, ele, o louco correu, 


não encontrou o ponto de chegada, mas estava la, ele

não notou.

      
       - Pena de ti, da tua pobre alma.  Disse a consciência.
        Diria outro:
       - Não pobre, podre alma.

        E ele não  foi  a  lugar algum, nem com poesias, nem em corpo, então é louco, tosco.  
   
        Que cultura tem o louco?
         
              O  poeta louco, sem sarau. 


         ... então não tem poesia...



        Bom seria comer batas fritas na esquina da praça, ou brincar com o palhaço num picadeiro qualquer...

        Pastel de feira é bom, correr num estradão, quando ventania levanta poeira, imaginando exímio aviador da Senta Pua, investindo sobre artilharia nazista;  tão simples, algo que não morre.


       Mas em si, é audaz 



       É louco porque se viu menino nas margens do Rio das Almas...

       E ele é louco...  


                   E não tem alma ou corpo, as magoas corrompem o ser, quando o ser pensa ser, e não é.  
Nem nobre mais é, ou, nunca tenha sido, se foi, 
um tanto de nada.     


       Morto, não culto,  nada... Sepultado dentro de si.  

       Amigo do nada, nada de amigos, cultos amigos.

      Jamais... 
  

       E dor?  Ele causa, emana dor e dessabor...

        Fuga de que? 


       E repete sempre a mesma coisa, não se deu oportunidade de algo novo.


        E sobre um caminhão, viram-no dentro de uma redoma de vidro. Não grades, vidros.


        Ia o caminhão pela avenida principal, e as pessoas não aplaudiam, uns choravam de dor, outros de saudade, outros de rancor... Como apresentação de circo bizarro.



         Os poetas viraram o rosto pra ele, os filhos estavam lá olhando calado, até um cachorro negro estava lá olhando e, indo e vindo de um lado pra outro.



         
        E O LOCUTOR IA NARRANDO: 



         - Respeitável público!   Olhem, admirem, o bizarro, algo esplendido!   Notável e louco... 



        E a redoma girava, pra que ele, o louco não pudesse esconder o rosto, nem corpo, nem a alma.



        E ele foi despido, nu.

        Despido de vestes, ele estava apavorado... 
Só queria escrever... Correr por ai... 
Abraçar um amor na praça do Ipê..


       Mas foi despido, 

       Despido da alma, dos sonhos, da vida... 
       Despido das orações....


         
         E queimaram teus escritos, 


         E um do meio zombou:



         - E agora Libra, 
onde está o anjo que veste azul cetim? 

         - Onde esta teu anjo;  Libra?


        E multidão seguia calada, livres do poeta, do ladrão de felicidades, do larápio que rouba risos...



       E do céu até Vitória assistia, olhando de lá, embalada nos braços de Cristo.



        "Ele viu Vitória no céu, olhando de lá, acenando, e Cristo a embalar."





       O poeta não tem face.   Não tem nome, varias   caras e nenhuma honra. Que houve então?



        Vive na redoma, nas estações do passado, que o acorrenta, não sabe sair, nem ir....  



        De dentro da redoma ele vê o anuncio, parece de um balneário azul, é anuncio de um lugar difícil de ir.
         
         O rio lá longe é bonito, nem correndo o poeta não foi capaz de  fazer o tempo pra ir,
 mas ele queria poder ver o rio.
        
          Ele não recitou a própria poesia. . 
                Nem parou pra apanhar flores, 
                 e colocar nos cabelos da filha.


          Nem disse um te amo, ou um abraço bom... 
a um amor...

          Nem soube amar ou fazer amor bom, 
          nem sexo bom, nem nada bom.

         E ao fogo vai os livros, 
talvez também não seja bom.
    
          E foi perdendo tudo, matando tudo, e se matando.

         E também ninguém quer ouvir, nem ele mesmo, então ele tem rostos, vários rostos.  Troca à face pra ver se alguém vê e ouve.

         Morre.   É que, compreendo o suicida.   Nada nele presta, o louco se jogou no lixo.

         Nem pra amar ou fazer amor, não há delicadeza, nem ritmo, pra vida, nem ritmo pra Deus.

         Agora a redoma de vidro é a mesma que o prende, de se libertar dos conflitos e da vida.

         A Morte seria terna hoje.

         É que esperou o Cristo descido e
 sorrindo aos pés da cruz.


         Cristo veio, no voo livre da borboleta azul, mas o louco, não notou...

         O mar fica pra trás todos os anos, 
o direito de ir e vir também.

          Tem uma jabuticabeira bonita do outro lado da


minha janela, do quarto que durmo, nunca notei.




           O poeta louco, louco que é, não notou que



 passarinhos verdes, vinham na jabuticabeira, fazer 



algazarra pra ele se animar.




            Mas o poeta é cruel, não notou que os pássaros 



foram enviados por Deus, pra anima-lo.



            

           Que importa?


           Tem uma redoma de vidro.



segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

A POTRA DE OLHOS AZUIS




JURAVA QUE NÃO HAVIA, MAS HÁ, EU VI NUMA BAIA RECLUSA DA LIBERDADE.

VI TAMBÉM OS OLHOS DA MULHER QUE ADMIRAVA

A POTRA DE OLHOS AZUIS, CUJA CRINA TRANÇADA, O PEÃO TRANÇOU COM MAESTRIA.

A MULHER DE OLHOS CLAROS, NO MOMENTO, MENINA FALANDO EM SILÊNCIO,
COM A POTRA DE OLHOS AZUIS.

EU QUE CONTEMPLEI, NÃO NOTEI O ALERTA DA BRISA
ALERTANDO UM ADEUS.

E AGORA EU CHOREI.
E A POTRA TALVEZ CHORE, COM A LIBERDADE DOS CAMPOS VERDES ACORRENTADA.

A MULHER CALADA SORRIA, FALAVA BAIXINHO COM O ANIMAL, COMO QUE A BRISA TOCANDO O ROSTO, 
EU VI.

VI TAMBÉM AS LÁGRIMAS DA MULHER DE OLHOS CLAROS.

VI ENCONTRO DE DOIS ESPÍRITOS,  
ERAM CRIATURAS DE DEUS.

EU LI NOS OLHOS DA POTRA 
A MULHER REFLETIDA ALI.

E A MULHER DE MÃOS DADAS, 
ERA MENINA, SORRIA CRIANÇA.

COMO QUE NA ALMA DO VENTO,
DE MÃOS DADAS COMO QUE,

PAIXÃO QUE PARECE NÃO ACABAR.

E QUEM ENTENDE DO AMANHÃ DE NÓS?

COMO O ESPÍRITO DA MULHER DE OLHOS CLAROS, COMO BRISA TOCANDO A ALMA DA POTRA, 
DE OLHOS AZUIS.


MARKUS LIBRA.