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sábado, 9 de fevereiro de 2013

NAUFRAGO DE BARQUINHO DE PAPEL

      Para descobrir a tua voz... 
   Ele foi naufrago, de um barquinho de papel de caderno, feito a ponta de dedos... E o ser do sol era o brilho da manhã, e a manhã gritava o grito aflito do passarinho....
 - Passarinho não chores tanto no teu cantado calado.  Em lamento a manhã dizia, mas o passarinho chorou no fio pousado, olhando o galho do teu ninho no chão...
   E com o biquinho pequeno, tocou os olhinhos pequenos da tua pequenina companheira.
   Ela que olhava os filhotes no chão caídos.
   Logo o amarelo do ipê cobriu o chão, e as flores amarelas foram cores ao funeral, da morte causada aos pequenos filhotes.

    E a menina fazia barquinho de folha de caderno, e soltava na enxurrada depois da chuva, onde perto o passarinho triste chorava no fio pousado.
  
    Foi depois da chuva que o lenhador desceu o machado. O ipê gritou, chorou lágrimas amarelas das flores caindo.
    E Deus no céu, Deus no céu não se conforma, não mais se conforma.   
    Na certeza do poeta, Deus tem chorado.

    E a enxurrada pequena levou o barquinho, que dentro ia o poeta.  O navegante era o poeta, e o poeta viu a menina que fez o barquinho.  
   O poeta percebeu o passarinho com o biquinho tocar os olhinhos, os olhinhos da pequenina companheira.  
  A companheira que chorava um canto triste, olhando os  filhinhos caídos feridos no chão onde esta o galho cortado.
   E a avezinha olhou pra o céu azul, esperando Cristo vir socorrer...

    E o lenhador, o lenhador com teu machado se foi.   

    Ele foi naufrago pra descobrir a própria voz.
   Pra descobrir a tua voz, ele naufragou  de um barquinho de papel, papel de folha de caderno. 
   O poeta foi naufrago.   
   
   Barquinho feito a pontas de dedos por uma menina pequena que na rua brincava, onde tombou o ipê em corte de machado.
    A menina de rostinho sujo de barro e cabelos de cachos,  fez o barquinho e, soltou o barquinho de papel, na pequena enxurrada.
    O barquinho flutuou e ela; ela foi seguindo, com um sorriso bonito, a margem do riacho imaginado, e ia a menina brincando que dentro do barquinho havia um poeta navegante de horizontes distantes.
  
   E o leito de enxurrada passou entre as flores do ipê tombado a margem da rua, e poeta viu os filhotes, a menina viu os filhotes... O poeta fez oração de lamento ao Deus do céu.
     O sorriso da menina ficou pequeno, ela se viu entre as flores do ipê amarelo, entre os galhos cortado, e notou os filhotes entre as flores caídos.

   O passarinho no fio cantou nervoso, o poeta fez prece, a pequenina companheira do passarinho, desceu ao chão.... apanhou a florzinha amarela do ipê, colocou no biquinho pequeno, e cobriu os filhotes, varias florzinhas, uma a uma.
    Uma a uma, ela, a avezinha levou pra cobrir os filhotes...

  O passarinho no fio cantava triste nervoso, olhando ela cobrir os filhinhos... Incontido.

   A menina parou o barquinho, ficou olhando, ela e o poeta.      E o passarinho cantou nervoso um canto triste.

  E ele pousou ao chão de flores amarelas, o passarinho desceu ao chão.   Colocou  também a tua florzinha amarela.  
   Olhou terno em tua alma pequenina, e ela, a pequenina companheira olhou pra ele e com o biquinho pequeno tocou os olhinhos dele.

    E foram-se, voaram pra o distante... O poeta e a menina, os viram sumir no fim do mundo.

   Tudo foi silêncio, a menina enxugou  lágrimas, o poeta navegante de barquinho de papel de caderno, levantou ancora. 

      O navegante ficou revoltado.  E fez oração:

       "Meu Deus!!  Gritou...
         Não deixe que a revolta me domine...
           Porque?
             Olha ai no chão caídos, meu Senhor...
                Tu, trouxe os homens ao mundo, e olhe, o Senhor tem olhado o que fazem?
                    Será que não percebes o chorar das avezinhas...  Eu mesmo ouvi o ipê gritando."

                    
   A menina colocou o barquinho em leito de riacho, de enxurrada.   
    Ela triste deixou de brincar, e se foi.... E o barquinho sucumbiu depois do retorno da chuva e o poeta ficou naufrago... ilhado em lugar qualquer dos teus rabiscos.
      E ele, nadou até a ilha pequena, sentou na areia da praia, abraçou os joelhos e, chorou....chorou o choro dos teus rabiscos....
      
      
      

Um comentário:

  1. Maravilhoso. Emocionante. O autor, sem esforço tocou o coração. Melancólico, porém, doce e suave.

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