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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

POETA LOUCO


         Vi correr pra lugar nenhum, ele, o louco correu, 


não encontrou o ponto de chegada, mas estava la, ele

não notou.

      
       - Pena de ti, da tua pobre alma.  Disse a consciência.
        Diria outro:
       - Não pobre, podre alma.

        E ele não  foi  a  lugar algum, nem com poesias, nem em corpo, então é louco, tosco.  
   
        Que cultura tem o louco?
         
              O  poeta louco, sem sarau. 


         ... então não tem poesia...



        Bom seria comer batas fritas na esquina da praça, ou brincar com o palhaço num picadeiro qualquer...

        Pastel de feira é bom, correr num estradão, quando ventania levanta poeira, imaginando exímio aviador da Senta Pua, investindo sobre artilharia nazista;  tão simples, algo que não morre.


       Mas em si, é audaz 



       É louco porque se viu menino nas margens do Rio das Almas...

       E ele é louco...  


                   E não tem alma ou corpo, as magoas corrompem o ser, quando o ser pensa ser, e não é.  
Nem nobre mais é, ou, nunca tenha sido, se foi, 
um tanto de nada.     


       Morto, não culto,  nada... Sepultado dentro de si.  

       Amigo do nada, nada de amigos, cultos amigos.

      Jamais... 
  

       E dor?  Ele causa, emana dor e dessabor...

        Fuga de que? 


       E repete sempre a mesma coisa, não se deu oportunidade de algo novo.


        E sobre um caminhão, viram-no dentro de uma redoma de vidro. Não grades, vidros.


        Ia o caminhão pela avenida principal, e as pessoas não aplaudiam, uns choravam de dor, outros de saudade, outros de rancor... Como apresentação de circo bizarro.



         Os poetas viraram o rosto pra ele, os filhos estavam lá olhando calado, até um cachorro negro estava lá olhando e, indo e vindo de um lado pra outro.



         
        E O LOCUTOR IA NARRANDO: 



         - Respeitável público!   Olhem, admirem, o bizarro, algo esplendido!   Notável e louco... 



        E a redoma girava, pra que ele, o louco não pudesse esconder o rosto, nem corpo, nem a alma.



        E ele foi despido, nu.

        Despido de vestes, ele estava apavorado... 
Só queria escrever... Correr por ai... 
Abraçar um amor na praça do Ipê..


       Mas foi despido, 

       Despido da alma, dos sonhos, da vida... 
       Despido das orações....


         
         E queimaram teus escritos, 


         E um do meio zombou:



         - E agora Libra, 
onde está o anjo que veste azul cetim? 

         - Onde esta teu anjo;  Libra?


        E multidão seguia calada, livres do poeta, do ladrão de felicidades, do larápio que rouba risos...



       E do céu até Vitória assistia, olhando de lá, embalada nos braços de Cristo.



        "Ele viu Vitória no céu, olhando de lá, acenando, e Cristo a embalar."





       O poeta não tem face.   Não tem nome, varias   caras e nenhuma honra. Que houve então?



        Vive na redoma, nas estações do passado, que o acorrenta, não sabe sair, nem ir....  



        De dentro da redoma ele vê o anuncio, parece de um balneário azul, é anuncio de um lugar difícil de ir.
         
         O rio lá longe é bonito, nem correndo o poeta não foi capaz de  fazer o tempo pra ir,
 mas ele queria poder ver o rio.
        
          Ele não recitou a própria poesia. . 
                Nem parou pra apanhar flores, 
                 e colocar nos cabelos da filha.


          Nem disse um te amo, ou um abraço bom... 
a um amor...

          Nem soube amar ou fazer amor bom, 
          nem sexo bom, nem nada bom.

         E ao fogo vai os livros, 
talvez também não seja bom.
    
          E foi perdendo tudo, matando tudo, e se matando.

         E também ninguém quer ouvir, nem ele mesmo, então ele tem rostos, vários rostos.  Troca à face pra ver se alguém vê e ouve.

         Morre.   É que, compreendo o suicida.   Nada nele presta, o louco se jogou no lixo.

         Nem pra amar ou fazer amor, não há delicadeza, nem ritmo, pra vida, nem ritmo pra Deus.

         Agora a redoma de vidro é a mesma que o prende, de se libertar dos conflitos e da vida.

         A Morte seria terna hoje.

         É que esperou o Cristo descido e
 sorrindo aos pés da cruz.


         Cristo veio, no voo livre da borboleta azul, mas o louco, não notou...

         O mar fica pra trás todos os anos, 
o direito de ir e vir também.

          Tem uma jabuticabeira bonita do outro lado da


minha janela, do quarto que durmo, nunca notei.




           O poeta louco, louco que é, não notou que



 passarinhos verdes, vinham na jabuticabeira, fazer 



algazarra pra ele se animar.




            Mas o poeta é cruel, não notou que os pássaros 



foram enviados por Deus, pra anima-lo.



            

           Que importa?


           Tem uma redoma de vidro.



2 comentários:

  1. Que legal, esperava que escrevesse.
    loucura? Quando vc escreve tento ler nas entrelinhas.
    Loucura é uma via de mão dupla e contradição.
    sofrimento equiparado a morte terna (?) por sentir que esta é melhor que a vida ou por saber a morte é vida?


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  2. Poeta louco,

    Quanta loucura...

    Quanta humanidade vejo em vc.

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